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A lama do Lama: da sombra à luz - Dr. Ricardo
Quando estive na Índia na cidade de Dharamsala conheci vários Lamas tibetanos que me ensinaram lições muito preciosas. Aliás os Lamas do Tibet são conhecidos como "Rimpoches". O que isso significa? Esse é um título dado aos Lamas mais respeitados e significa "precioso". Esses mestres são preciosos porquê irradiam uma paz e uma sabedoria indescritíveis. Os Lamas são homens sábios, santos e heróis que fizeram uma aventura pelo mundo interior. Os Lamas são exploradores do "SELF". Conhecedores dos potenciais mentais, anímicos e espirituais. Certa vez um "Rimpoche" me olhou profundamente nos meus olhos e disse: " para chegar na luz do nirvana, você precisa primeiro viver na sombra do samsara". Entendo que o trabalho com as sombras é fundamental para aqueles que buscam a realização interior. A sombra é a parte que não aceitamos, não desejamos e não gostamos de nós mesmos. Normalmente reprimimos,rejeitamos e negamos a nossa sombra. Escondemos de nós mesmos e do outro, as partes desagradáveis da nossa personalidade (emoções, sentimentos e percepções negativas). Criamos "personas" ou máscaras para compensarmos os nossos horrores internos. Mas diz a Alquimia (arte hermética iniciática) que a matéria-prima do "opus" ou trabalho alquímico da autorealização é a sombra. A sombra é o húmus ou a lama da alma. Dentro da palavra lama encontramos a palavra alma e vice-versa. Na lama encontramos muitas sujeiras, muitas impurezas mas também encontramos nutrientes e materiais orgânicos fundamentais para o desenvolvimento da vida. A sombra têm elementos positivos e negativos. O esterco do vaso da alma é feito de sombra. Quem não coloca as mãos no esterco não se embriaga com o perfume da flor. Ironia da lógica das contradições - que é a lógica da vida. Aquele Lama tibetano também pôs os seus pés na lama do samsara e se sujou na sombra. Também sujou suas mãos na lama e hoje colhe a beleza do "lótus" e de ser Lama. A lama é a matéria-prima do Lama! A flor de lótus é bela e perfurmada. Mas ela tem as suas origens nas profundezas da lama. Que enigma e que mistério! Como pode esse ser, que se nutre de aparentes impurezas, ser tão puro? Como pode a água barrenta ser transformada no vinho? Que transmutação é essa que a flor de lótus, alquimista por natureza, realiza? Como ela faz isto? Ele faz isso porquê é humilde. Humildade (no nosso caso) é se reconhecer "humus", barro, esterco, humano. Os textos alquímicos que "THOT" trouxe para o Egito ensinam a arte da tranformação da lama em Lama. Esse grande sacerdote atlante aprendeu com a flor de lótus a arte sagrada. O homem precisa do samsara da existência para chegar no nirvana da consciência espiritual (essência). Nós precisamos do esterco da sombra para chegarmos na flor de lótus do "Self". Foi tudo isso que "Rimpoche" me disse na sua ternura e sabedoria. Como diz o poeta: "estamos aqui para forjar o amor do aço do rancor". A transmutação é possível. Mas para isto acontecer temos que sujar os nossos pés.
Dr. Antônio Ricardo Nahas
Psicoterapeuta formado em Psicologia pela USP. Acupunturista. Curso sobre Psicologia
Budista em Dharamsala, Índia. Realizou estudos sobre Budismo Tibetano com
o atual Dalai-Lama no “Namgyal Monastery”, Dharamsala, Índia.
Curso sobre Psicologia Tibetana e Práticas Contemplativas pelo “Sakya
Tsechen Thubten Ling Centre” no “Asian Centre”, “University
of British Columbia” (U.B.C.), Vancouver, Canadá, com o lama Sakya
Trizin. Participação em palestras e workshops promovidos pela “Association
for Transpersonal Psychology” na U.B.C., Canadá, nas áreas
de Psicologia Transpessoal e Ecopsicologia. Participou de cursos e palestras sobre
Medicinas Chinesa, Tibetana e Ayurvédica. Formações em Práticas
Energéticas Chinesas, Biopsicologia e Hipnose. Conheceu várias práticas
terapêuticas corporais, psicológicas e espirituais quando visitou
o México, a Indonésia, a Austrália, a Índia, o Canadá,
a China, a Bolívia, Peru, Egito e Grécia. Curso de Aprimoramento
em Medicina Tradicional Chinesa na “Xiamen University”, China.
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