Copenhage ou kopenhagen: o bombom derreteu!

Copenhague ou Kopenhagen: o bombom derreteu!

 

A cidade de Copenhague foi o palco de um grande encontro em Dezembro de 2009.

A capital da Dinamarca situada na costa do mar Báltico recebeu líderes mundiais com o objetivo de achar metas e soluções para o problema do aquecimento global. Mas o que aconteceu por lá foi uma das maiores decepções dos últimos tempos.

Aliás, esse ano de 2009 eu definiria como o ano das decepções. Elas foram variadas: com a corrupção em nosso país, com a continuidade da política imperialista de Bush por Obama e com o seu prêmio Nobel da Paz e por último, com o encontro sobre política ambiental e aquecimento global realizado em Copenhague.

A palavra Copenhague significa “porto do mercador”. Penso que não foi por acaso que essa reunião foi realizada neste porto do mercador, onde o interesse maior são os negócios do mercado.

Nesta reunião o que menos foi discutido foi a questão ambiental ou aquecimento global. O interesse era o aquecimento do mercado de novas tecnologias e novos produtos confeccionados por empresas variadas do mundo todo.  

O que aconteceu foi uma grande exposição de produtos por empresários preocupados em explorar o tema ambiental para aquecer o mercado dos seus novos produtos.

Tanto isso é verdade que o resultado foi frustrante. Nenhum acordo ou meta estabelecida!

Mais uma vez fizemos a constatação de que o interesse do homem é o capital e não o equilíbrio ambiental.

O filme “Avatar” retrata bem a triste realidade de um ser totalmente destituído de espírito sinérgico e consciência ecológica. Um ser movido pela ambição e pelo poder, sem o mínimo interesse pelos valores da vida e da ética universal.

Os interessados de fato, na questão ambiental e planetária, foram impedidos de entrar no evento após um dado tempo. Foram considerados ativistas rebeldes e baderneiros.

O verdadeiro encontro, na verdade, aconteceu lá fora, mas a violência calou as vozes de protesto e de indignação das mentes lúcidas e despertas.

O nosso planeta está passando por uma febre causada por uma infecção viral fatal: o vírus humano. O diagnóstico da Terra é HIV positivo, o que na tradução da medicina ambiental pode ser entendido como “Heart Immunodeficiency Virus”, ou seja, vírus da imunodeficiência do coração.

Enquanto o coração da Terra aquece, o coração dos homens esfria. A frieza do coração humano aquece a temperatura de Gaia que já começa a ter delírios variados.

 Os bombons de Kopenhagen estão derretendo por causa do aumento da temperatura da Terra enquanto os “bons – bons” de Copenhague têm os seus corações cada vez mais duros e gelados no freezer do poder e da ambição.

A redução de gases do efeito estufa é urgente é necessária para o bem de toda a humanidade. Pois “tudo o que acontecer com a Terra, também acontecerá com os filhos da Terra”, já dizia o velho xamã.

Tudo indica que a redução da temperatura da Terra dependerá primeiramente do aquecimento do coração dos homens. Uma coisa não acontecerá sem a outra. A temperatura do coração precisa ser maior.

Aqueles que ficaram de fora do evento em Copenhague porque não tinham as credenciais da ambição e da psicose são aqueles que estão vivendo o aquecimento global do coração.

Nós precisamos aprender urgentemente aquela arte dos nativos do planeta Pandora do filme “Avatar”, exercício de sinergia e liturgia xamânica.

Qual arte?

A arte de conectar os fios capilares do nosso coração às raízes de “Pachamama” para fazermos a experiência sagrada do “coniunctio” ou comunhão no amor.

Enquanto isso não acontece, muitos comem os chocolates da Kopenhagen, mesmo que derretidos.

Tudo indica que se o homem não aprender a se "derreter de amor", fará isso em muito breve, no terror.

Espero que a esperança não escape da caixa de Pandora.

 

Dr. Antônio Ricardo Nahas

Psicoterapeuta formado em Psicologia pela USP. Acupunturista. Curso sobre Psicologia Budista em Dharamsala, Índia. Realizou estudos sobre Budismo Tibetano com o atual Dalai-Lama no “Namgyal Monastery”, Dharamsala, Índia. Curso sobre Psicologia Tibetana e Práticas Contemplativas pelo “Sakya Tsechen Thubten Ling Centre” no “Asian Centre”, “University of British Columbia” (U.B.C.), Vancouver, Canadá, com o lama Sakya Trizin. Participação em palestras e workshops promovidos pela “Association for Transpersonal Psychology” na U.B.C., Canadá, nas áreas de Psicologia Transpessoal e Ecopsicologia. Participou de cursos e palestras sobre Medicinas Chinesa, Tibetana e Ayurvédica. Formações em Práticas Energéticas Chinesas, Biopsicologia e Hipnose. Conheceu várias práticas terapêuticas corporais, psicológicas e espirituais quando visitou o México, a Indonésia, a Austrália, a Índia, o Canadá, a China, a Bolívia, Peru, Egito e Grécia. Curso de Aprimoramento em Medicina Tradicional Chinesa na “Xiamen University”, China.

 

 

 

 

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