|
O polvo de Lula: uma reflexão sobre os efeitos Marinhos
Muitos perguntam o que é a pós-modernidade. Eu diria que ela pode ser definida como o momento das “TPMs”.
Mas o que isso significa?
O que chamamos de pós-modernidade nada mais é do que um período da história onde os seres humanos estão vivendo três tipos de transtornos ainda não catalogados nos manuais de psiquiatria: o transtorno da pós-mediocridade; o transtorno do pós-modernismo e uma tensão pré-menstrual que assola até mesmo aqueles considerados muito machos.
Começo a análise na ordem inversa (respeitando uma das características mais marcantes do pós-modernismo, a inversão das ordens e valores).
Nós podemos pensar que o homem pós-moderno está vivendo, diariamente, sintomas que eram apenas vividos pelas mulheres na segunda metade do ciclo menstrual.
Quais?
A irritabilidade, o nervosismo, a depressão, a cefaléia, o inchaço nas pernas, o cansaço e o desejo por doces e chocolates. Ou seja, sintomas do fígado em fase yang. Haja fígado para a digestão de tantas toxinas.
O inchaço dos pés é um sintoma do homem edípico neurótico que infelizmente não caminha direito porque tem os pés machucados.
Mas os pés inchados de Édipo não caminham mais!
A pós-modernidade está gerando um déficit da “razão pura” que segundo a filosofia de Kant, representa a faculdade de julgar a priori o que verdadeiro e o que é falso, o que é real e o que é simulacro.
O transtorno do pós-modernismo é caracterizado pelo sintoma da des-simbolização do mundo, resultando na perda da capacidade que o aparelho mental tem de pensar pensamentos e fazer juízos à priori.
O homem está perdendo a sua subjetividade e, portanto, a capacidade de caminhar com os próprios pés.
A filosofia de Kant nos coloca que só o esclarecimento poderá tirar o homem da sua condição de menoridade. E menoridade pode ser traduzida como mediocridade.
Assim chegamos ao último sintoma do homem pós - neurótico.
Ser esclarecido é fazer uso do próprio entendimento e usar o aparelho psíquico de maneira plena e consciente.
O Transtorno da Pós Mediocridade, outro tipo de TPM, nasce do encontro da preguiça com a covardia.
É mais fácil agir segundo as ordens do outro. E o outro é a metáfora, no mundo atual, das leis de mercado.
A triste realidade é a de que ainda não saímos da menoridade. Ainda não adultecemos.
A menoridade é a incapacidade de fazer uso do entendimento sem a direção de uma força externa.
Quem é culpado por isso? O sistema?
Não.
Nós mesmos.
É a falta de coragem, o comodismo e a falta de decisão que nos coloca na diretividade do outro. Essa diretividade pode vir das igrejas, das instituições, dos sindicatos, partidos políticos, mídia, das universidades e de todos os aparatos ideológicos do Estado.
Por que tememos tanto o uso pleno da razão e a busca do esclarecimento. Por que tão poucos honram o espírito da busca?
Mais do que o temor da autonomia, a preguiça, a covardia e a passividade são os nutrientes principais da menoridade que nos tiram a capacidade de transcendência e simbolização.
A perda da faculdade do juízo também é a perda da liberdade!
Quando nós brasileiros deixaremos de ser o polvo do Lula?
Na verdade a pergunta é outra: o que fazer para não cairmos nas seduções populistas e sociopáticas dos discursos vazios, mas cheios de graças e falsa modéstia?
Nós temos o potencial da arte e da criatividade, riquezas máximas da condição humana. Por que nos contentar com o pão com manteiga e com o circo de rua?
Falta-nos coragem, coração e movimento.
Apenas as revoluções internas contra a preguiça, a covardia e o comodismo nos libertarão da condição de seres Marinhos (Globais) ou polvos do Lula.
Os tentáculos são muitos deste ser tão bizarro. Mas não mais perigosos do que a nossa preguiça.
Qualquer pequeno peixe marinho quando chega ao poder ganha tentáculos e vários braços.
Mas o esclarecimento, a razão libertadora e o coração valente são ainda mais fortes do que o líquido escuro eliminado por aqueles que tentam apagar a luz da verdade negando fatos explícitos e tingindo o tecido colorido do real com a cor cinza da hipocrisia.
. O Lula marinho lança jatos de tintas escuras na tela do real e o que fazemos?
O Brasil é um país Marinho povoado por seres aquáticos bizarros e muitas espécies de "bichos - preguiça" do mar.
Todos nós devemos trabalhar a passagem de Epimeteu para o Prometeu, do posteriori para o à priori, da alienação para o juízo crítico, assumindo a responsabilidade do próprio destino.
Espero encontrar nas mesas dos brasileiros menos frutos Marinhos, menos pão com manteiga, menos chás de Arrudas e quem sabe mais coração e coragem.
Dr. Antônio Ricardo Nahas
Psicoterapeuta formado em Psicologia pela USP. Acupunturista. Curso sobre Psicologia
Budista em Dharamsala, Índia. Realizou estudos sobre Budismo Tibetano com
o atual Dalai-Lama no “Namgyal Monastery”, Dharamsala, Índia.
Curso sobre Psicologia Tibetana e Práticas Contemplativas pelo “Sakya
Tsechen Thubten Ling Centre” no “Asian Centre”, “University
of British Columbia” (U.B.C.), Vancouver, Canadá, com o lama Sakya
Trizin. Participação em palestras e workshops promovidos pela “Association
for Transpersonal Psychology” na U.B.C., Canadá, nas áreas
de Psicologia Transpessoal e Ecopsicologia. Participou de cursos e palestras sobre
Medicinas Chinesa, Tibetana e Ayurvédica. Formações em Práticas
Energéticas Chinesas, Biopsicologia e Hipnose. Conheceu várias práticas
terapêuticas corporais, psicológicas e espirituais quando visitou
o México, a Indonésia, a Austrália, a Índia, o Canadá,
a China, a Bolívia, Peru, Egito e Grécia. Curso de Aprimoramento
em Medicina Tradicional Chinesa na “Xiamen University”, China.
|