Da Cosmética à Cosmoética: o Belo em Plotino

 

            Dentre todos os filósofos que eu aprecio talvez Plotino tenha um lugar muito especial no meu coração.

 

            Para mim o coração é a parte da complexidade mais habilitada para as reflexões verdadeiramente filosóficas.

 

            A função da filosofia é promover a expansão da consciência e o ganho da sabedoria. E a arte de filosofar exige preparo mental e espiritual.

 

            É necessária uma forte musculatura para fazer boa filosofia e o coração é um órgão muscular capaz não somente de bombear o sangue, mas a sabedoria e o amor.

 

            O sangue na medicina chinesa é a raiz da mente. O coração, portanto, é a sede do “shen” ou consciência.

 

            No coração existe uma câmara sagrada conhecida como átrio, lugar de meditação e reflexão.

 

            Portanto, o coração é um órgão que também pensa. Mas os pensamentos que ele processa e elabora não são lógicos ou científicos e sim, translógicos e metafísicos.

 

            O cérebro é especialista nas lógicas mais lineares. O coração é pós graduado na dialógica!

 

            E Plotino já sabia de tudo isto.

 

            Esse grande filósofo desenvolveu uma metafísica profundamente mística e em alguns aspectos muito parecida com as visões metafísicas orientais.

 

            Uma das mais bonitas reflexões que Plotino fez foi sobre a questão do Belo.

 

            O que é o Belo para Plotino?

 

            Para ele, o Belo não é propriedade da matéria, mas do Espírito! Ele caminha na contra mão daquilo que o mundo moderno considera o Belo.

 

            O Belo é a presença do Espírito revelado na matéria. E só o Espírito pode reconhecer o Espírito. Somente o Espírito pode captar o Belo.

 

            A essência e não a aparência é a “poiesis” do Belo.

 

            O Belo transparece a beleza da presença espiritual. Não depende das simetrias e proporções como propunha o pensamento grego.

 

            “A alma não pode contemplar a beleza, se não se torna, ela mesma, bela.”

 

            Muitos acham que a beleza está na magia dos cosméticos. Mas este é mais um engano do homem contemporâneo!

 

            Não é a magia da cosmética, mas a alquimia da cosmoética que tornará o homem verdadeiramente Belo.

 

            O Belo é aquilo que torna o homem Bom!

           

            Não é a harmonia das formas nem as simetrias da matéria que geram a beleza.

           

            O que gera a beleza é a pureza e a bondade. Muitos confundem pureza com ingenuidade e inocência.

 

            A pureza é a intenção justa e bondosa.

 

            Tudo que revela a beleza da presença do Uno é Belo. O Belo é inteligível.

 

            O coração humano, quando puro, pode captar e sentir esta presença. E quando isto acontece, a visão fica mais colorida e a vida mais bonita. O coração deve ser a lente dos olhos.

 

            Para Plotino, o Belo é tudo aquilo que conduz o homem ao Bem.

 

            O Bem é o fundamento metafísico do mundo.

 

            A beleza sensível do mundo material apenas nos permite recordar que existe uma outra Beleza: aquela inteligível pela capacidade noética espiritual.

 

            Na modernidade, o que se busca é a beleza sensível.

 

            Ela é o fim e não um caminho que pode apontar para um algo mais que transcende o mundo das aparências e toca a dimensão do essencial.

 

            A verdadeira estética é a ética! A verdadeira cosmética é a cosmoética!

 

            O mundo dos simulacros se alimenta de “maya” ou mundo ilusório. Por isto os cosméticos são tão procurados.

 

            Mas aonde buscar a cosmoética?

 

            Sem dúvida alguma na presença espiritual. No íntimo da nossa humanidade.

 

            Penso por exemplo, que Chico Xavier, Madre Teresa e muitos outros foram representantes do Belo.

 

           Seres cuja beleza irradiada uma presença maior de natureza espiritual.

 

            As clínicas de estética e os produtos cosméticos estão em alta porque o ser humano está em baixa.

 

            Quando o homem usar mais a cosmoética do que a cosmética, não será mais “por fora bela viola e por dentro pão bolorento”.

Dr. Antônio Ricardo Nahas

Psicoterapeuta formado em Psicologia pela USP. Acupunturista. Curso sobre Psicologia Budista em Dharamsala, Índia. Realizou estudos sobre Budismo Tibetano com o atual Dalai-Lama no “Namgyal Monastery”, Dharamsala, Índia. Curso sobre Psicologia Tibetana e Práticas Contemplativas pelo “Sakya Tsechen Thubten Ling Centre” no “Asian Centre”, “University of British Columbia” (U.B.C.), Vancouver, Canadá, com o lama Sakya Trizin. Participação em palestras e workshops promovidos pela “Association for Transpersonal Psychology” na U.B.C., Canadá, nas áreas de Psicologia Transpessoal e Ecopsicologia. Participou de cursos e palestras sobre Medicinas Chinesa, Tibetana e Ayurvédica. Formações em Práticas Energéticas Chinesas, Biopsicologia e Hipnose. Conheceu várias práticas terapêuticas corporais, psicológicas e espirituais quando visitou o México, a Indonésia, a Austrália, a Índia, o Canadá, a China, a Bolívia, Peru, Egito e Grécia. Curso de Aprimoramento em Medicina Tradicional Chinesa na “Xiamen University”, China.

 

 

 

 

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