Crise na economia interior

Muitos estão preocupados com atual crise mundial.

 

Mas quantos estão preocupados com a crise existencial que está gerando uma profunda pobreza interior e miséria da alma?

 

A busca de um entendimento de quais são as causas deste caos financeiro e quais as possíveis saídas, está mobilizando a atenção de muitos. 

 

Os economistas estão fazendo estudos profundos sobre o impacto da microeletrônica na decadência da mão de obra e sua contribuição para a crise da economia.

 

A nova ordem mundial retirou a força de trabalho humano do processo produtivo.

 

O capitalismo autofágico está destruindo as suas próprias bases ao eliminar, segundo o sociólogo Kurz, os próprios consumidores - que são os fornecedores da força de trabalho.

 

Segundo Tapscott, a economia digital centrada no domínio da informação está transformando o proletariado humano em proletariado de silício.

 

O carbono humano está sendo substituído pelo silício das máquinas. E o silício de hoje poderá ser o suplício de amanhã.

 

A economia virtual nos diz que não há mais correlação entre produção de bens reais e movimentos de mercados financeiros.

 

As transações foram substituídas pelas especulações.

 

O boato tornou-se um elemento substancial no mercado financeiro e segundo Kapferer, o boato é contrapoder. Uma palavra à margem da palavra oficial. Um tipo de marginalidade ou perversão.

 

O boato que substitui, a meu ver, o "bom-ato".

 

O que esperar de uma economia psicótica alimentada por delírios, especulações e boatos?

 

Mas quem está preocupado com a crise existencial e com as misérias da alma que há muito mais tempo está nos afligindo?

 

Eu particularmente, me preocupo mais com a economia da alma. O que será da alma humana nos tempos dos absurdos e das incertezas.

 

O ser humano está vivendo uma crise interior muito pior do que a crise exterior. Aliás, tudo indica que a segunda nada mais é do que um reflexo da primeira.

 

O homem está perdendo a sua substancialidade. Aquilo que lhe dá essência e profundidade.  Está cada vez mais miserável e pobre na sua interioridade.

 

As relações, segundo Bauman, estão cada vez mais líquidas e os afetos cada vez mais vazios de intimidade.

 

Os relacionamentos também estão obedecendo as leis do mercado e tornando-se cada vez mais descartáveis.

 

As especulações também estão presentes nas relações sociais e afetivas.

 

Enquanto há lucro emocional e prazer na relação de bolso, vale a pena o investimento libidal. Caso contrário, é necessária a busca de outras opções no mercado de aplicação da libido cuja meta maior é a obtenção de cada vez mais prazer.

 

A crise humana é muito mais séria do que a crise da economia. Mas a mídia nada fala sobre está crise.

 

Esquecemo-nos que a crise do capitalismo é antes a crise do individualismo, a crise do narcisismo, a crise da onipotência e a crise gerada pela falta do amor.

 

Precisamos injetar na economia humana mais amor e solidariedade para salvar o mundo de uma grande catástrofe existencial ou hecatombe espiritual.

 

A economia da alma nos pede mais solidariedade e humildade. Precisamos investir urgentemente nas bolsas de valores humanos e espirituais.

 

A queda das bolsas poderia ser interpretada na economia psicológica como a queda da libido ou da pulsão de vida. Está despencando o “eros”  criativo e espiritual que nutre e alimenta a vida interior de cada um de nós.

 

Mas interessante é o fato de que os shoppings continuam cheios. E enquanto eles estiverem cheios, haverá bastante razão para nós pensarmos o quanto estamos cada vez mais vazios.

 

 

 

 

 

 

 

Dr. Antônio Ricardo Nahas

Psicoterapeuta formado em Psicologia pela USP. Acupunturista. Curso sobre Psicologia Budista em Dharamsala, Índia. Realizou estudos sobre Budismo Tibetano com o atual Dalai-Lama no “Namgyal Monastery”, Dharamsala, Índia. Curso sobre Psicologia Tibetana e Práticas Contemplativas pelo “Sakya Tsechen Thubten Ling Centre” no “Asian Centre”, “University of British Columbia” (U.B.C.), Vancouver, Canadá, com o lama Sakya Trizin. Participação em palestras e workshops promovidos pela “Association for Transpersonal Psychology” na U.B.C., Canadá, nas áreas de Psicologia Transpessoal e Ecopsicologia. Participou de cursos e palestras sobre Medicinas Chinesa, Tibetana e Ayurvédica. Formações em Práticas Energéticas Chinesas, Biopsicologia e Hipnose. Conheceu várias práticas terapêuticas corporais, psicológicas e espirituais quando visitou o México, a Indonésia, a Austrália, a Índia, o Canadá, a China, a Bolívia, Peru, Egito e Grécia. Curso de Aprimoramento em Medicina Tradicional Chinesa na “Xiamen University”, China.

 

 

 

 

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