|
Gramática existencial: a jornada humana.
Gramática existencial: o caminhar humano.
O grande poeta Fernando Pessoa dizia que o sentido da vida é não ter sentido algum. Mas será isso mesmo?
Acredito que o propósito da vida é gerar no ventre da existência filósofos ou amigos da sabedoria. A vida é um grande curso de graduação e pós-graduação em filosofia.
Ser filósofo é ser amigo da sabedoria. Pena que muitos são reprovados e não se graduam ao final da caminhada. Muito poucos se tornam bacharéis na arte da sabedoria.
Eros sonha com a gnose. A vida sonha com a sabedoria. Como uma mãe que faz um bolo gostoso e espera que o filho o saboreie com alegria e contentamento.
Sabedoria vem de saborear.
Na gramática filosófica existencial, a caminhada acontece entre um ponto de exclamação e um ponto final. E bem no meio, muitos pontos de interrogação.
Caminhamos entre o primeiro espanto e o último suspiro. E entre o espanto e o suspiro a dúvida.
A substância humana é feita de partículas quânticas de dúvida. Pequenas porções de dúvida que também não sabem se são ondas ou partículas.
Até no próprio âmago da matéria a angústia de ser e não ser.
O grande psicanalista da matéria Heisenberg descobriu no ventre da matéria as incertezas e paradoxos.
Tudo índica que os “três pontinhos” da gramática existencial abrem espaços de incertezas e dúvidas.
E dentro desta gramática existencial cheia de incertezas é gerada a filosofia e a busca do saber. Os filósofos são os filhos das incertezas e pais da serenidade.
Saber não significa decifrar os mistérios e nem entendê-los. Pois saber é amar e amar é saber. Amar é saborear o enigma e aceitá-lo como tal.
Amar é penetrar no abismo do incompreensível e abraçá-lo na sua plenitude. A vida precisa ser saboreada, vivida e não decifrada.
A arte de saborear a vida se chama filosofia. Ela nos ajuda a suportar o espanto e a encarar o ponto final. Ela nos dá suporte para tolerar os “três pontinhos” das incertezas.
Ela pode até transformar a geometria analítica linear dos três pontos que se sucedem no espaço-tempo em geometria espacial de três pontos que se agrupam como um triângulo maçônico.
Tudo têm no mínimo três ângulos (triângulo). Os ângulos da matéria, da mente e do Espírito.
A trajetória humana é tudo isto e muito mais. O ponto final de uma dimensão poderá ser o ponto de exclamação de outra.
Mas seja para onde for alma, os “três pontinhos” da gramática cósmica sempre a acompanharão na sua jornada evolutiva.
Aqui ou acolá, as incertezas sempre estarão presentes.
No mar das incertezas navega o barco da alma a procura do paraíso.
Dr. Antônio Ricardo Nahas
Psicoterapeuta formado em Psicologia pela USP. Acupunturista. Curso sobre Psicologia
Budista em Dharamsala, Índia. Realizou estudos sobre Budismo Tibetano com
o atual Dalai-Lama no “Namgyal Monastery”, Dharamsala, Índia.
Curso sobre Psicologia Tibetana e Práticas Contemplativas pelo “Sakya
Tsechen Thubten Ling Centre” no “Asian Centre”, “University
of British Columbia” (U.B.C.), Vancouver, Canadá, com o lama Sakya
Trizin. Participação em palestras e workshops promovidos pela “Association
for Transpersonal Psychology” na U.B.C., Canadá, nas áreas
de Psicologia Transpessoal e Ecopsicologia. Participou de cursos e palestras sobre
Medicinas Chinesa, Tibetana e Ayurvédica. Formações em Práticas
Energéticas Chinesas, Biopsicologia e Hipnose. Conheceu várias práticas
terapêuticas corporais, psicológicas e espirituais quando visitou
o México, a Indonésia, a Austrália, a Índia, o Canadá,
a China, a Bolívia, Peru, Egito e Grécia. Curso de Aprimoramento
em Medicina Tradicional Chinesa na “Xiamen University”, China.
|